Exame de sangue
Hoje você fez exame de sangue pela primeira vez. Foram dias tentando te preparar, mas você se recusava a falar no assunto. Hoje foi o dia, você foi de forma segura e sem reclamar. Aguentou a longa fila de espera, ouviu as outras crianças chorando, aceitou tirar sangue sem ser na sala para crianças.
Porém, no momento de furar veio o desespero. Longo choro com lágrimas correndo pelo rosto. Pedidos para ir embora, respiração ofegante e fora de ritmo, duas enfermeiras mobilizadas, tua mãe ajudando a te imobilizar.
De toda forma, conseguiram colher o sangue. Passamos o dia na rua, fomos ao Plaza, ao Campo de São Bento e ao salão para cortar ao cabelo. Tudo sem voltar em casa.
À noite, você cochilou ao chegar e depois brincamos. Pouco antes de ir dormir, disse ter gostado do dia e falou mais sobre o exame de sangue. Eu e tua mãe elogiamos a tua coragem, você retrucou que não foi corajoso por ter chorado. Dissemos que chorar não é forma de franqueza e reforçamos a tua coragem.
No quarto para dormir com tua mãe, você novamente disse ter gostado do dia e acrescentou que também de ter feito o exame.
Eu lembro da primeira prescrição de exame de sangue que recebi. Minha mãe tentou me explicar e tudo que ficou foi a menção à agulha. Lembrou das enfermeiras indo de um lado ao outro com recipientes barulhentos de metas à mão. Fiquei em pânico, igual à minha mãe, que resolver deixar para depois e me levar embora. Que felicidade eu senti em ir embora de lá com o apoio da minha mãe. Você ficou até o fim e venceu uma enorme barreira.
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