Chocalho

Estamos enfrentando muita dificuldade em tua introdução alimentar. Eu espera por você ter um comportamento parecido ao meu, mas acreditava que com recursos apropriados você poderia aceitar de forma diferente. É preciso paciência e insistência para que se habitue.

Tua esperteza nos cativa e encanta. Somos todos bobos por você. Teu avô é um chamego só, as avós não são diferentes e tias babam o tempo todo.

As nossas semelhanças, que mencionei acima, se intensificam conforme você vai crescendo. Cada vez mais percebo minha semelhança ao meu pai e por extensão a você. Fico pensando se isso não vem de meu avô, Pedro, mas não o conheci tão aprofundadamente para saber, já o conheci com uma certa idade que não foi possível reparar ou registrar memórias.

Eu tenho muitas lembranças, sobretudo de minha infância, algumas delas sem precisão de tempo, mas muitas eu consigo correlacionar com outros fatos e chegar a datas aproximadas. Ao te observar, consegui lembrar de mais fatos ou estimar com mais facilidade. Significa dizer que tenho estimado coisas entre 3 e 4 anos, não por acaso minha memória mais antiga data dos 4 anos, fui saber baseado em datas apresentadas por minha tia Nair, mais isso falo outro dia.

O primeiro presente que compramos para você foi um chocalho. Tua mãe trouxe um rosa, que acabou dando para Marina, filha de Pedrinho que é primo dela. Eu comprei um similar azul para repor e acreditar que o som despertaria teu interesse. Ao longo do tempo você aprendeu a segura-lo, passar de mãe e sacudi-lo para brincar. O som bem característico de um chocalho tradicional. Eu herdei brinquedos que foram da tua tia Daisy, eu creio ter sido o caso de um chocalho ou resto dele. Minha memória tem clara a existência de um, ou pedaço dele, numa época em que não interessava mais. O som é idêntico ao teu e só lembro dele por ficar em uma gavaeta que o remexia quando era aberta. Teu chocalho é o abaixo.


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